Cooperativismo Catarinense

ARTIGO 2

Um pesadelo chamado cólica renal

A crise de cólica renal se caracteriza pelo aparecimento súbito de uma dor de forte intensidade na altura do rim (região lombar), geralmente em um dos lados e, mais raramente, em ambos os lados.

Pessoas que já tiveram o desprazer de terem sido acordadas no meio da noite por uma crise de cólica renal e necessitaram procurar um serviço médico de pronto atendimento, conhecem muito bem o nível de stress proporcionado por esta condição. E o que dizer, então, de quem já teve a infelicidade de sofrer uma crise durante uma viagem de férias ou a trabalho e necessitou acionar seu seguro viagem, para poder recorrer a um tratamento emergencial, longe de casa?

E nestes tempos de covid-19, com os hospitais lotados, procurar um serviço de pronto atendimento para obter o imediato alívio das dores, pode representar um grande desafio a ser vencido por estes pacientes.

A crise de cólica renal se caracteriza pelo aparecimento súbito de uma dor de forte intensidade na altura do rim (região lombar), geralmente em um dos lados e, mais raramente, em ambos os lados. É acompanhada de sensação de mal estar intenso, náuseas e vômitos. Eventualmente o paciente pode apresentar urina avermelhada, associada à presença de sangue. O desconforto é tamanho que o paciente não consegue sequer permanecer deitado ou em repouso, e só cede com a administração imediata de analgésicos por via endovenosa.

Alguns pacientes que são acometidos por crises de cólicas renais sabem, de antemão, serem portadores de uma outra condição clínica responsável pelas crises, conhecida como Calculose Urinária, enquanto outros acabam descobrindo esta condição por ocasião da primeira crise, quando é realizado um exame de ultrassonografia ou tomografia computadorizada durante o atendimento emergencial.

Cálculos urinários renais são, geralmente, formados devido a um desequilíbrio químico na composição da urina, gerando elevadas concentrações de algumas substâncias, como o oxalato e o fosfato de cálcio, o sódio e o ácido úrico (mais comuns), bem como a deficiência no teor de água livre que compõe um determinado volume de urina, impossibilitando a dissolução completa destas substâncias. Assim, formam-se as populares “pedras nos rins”, de tamanhos e durezas variáveis, que se posicionam e ocupam espaço dentro de sua via excretora. Quando estão localizados dentro dos cálices renais, em geral, estes cálculos causam pouca ou nenhuma dor. O problema ocorre quando eles são mobilizados pelo fluxo de urina e se deslocam em direção ao ureter (canal tubular que interliga um rim com a bexiga, permitindo a drenagem interna da urina). Os cálculos descem pelo ureter e acabam impactando em algum ponto deste, causando a oclusão e obstrução completa do ureter. Neste momento, a pressão dentro do rim se eleva bruscamente, com a dilatação da via excretora e o estiramento da cápsula renal. Sensores nervosos no rim são disparados e enviam uma mensagem elétrica para o cérebro, avisando que algo não está bem com o rim e o cérebro aciona um alarme geral para o corpo, na forma de uma crise de cólica renal.

Cerca de 75% dos cálculos impactados no ureter são passíveis de eliminação espontânea na urina, após uma crise de cólica renal, tão logo se institua um tratamento medicamentoso para o alívio das dores. Os outros 25% restantes poderão permanecer impactados no ureter, gerando novas crises dolorosas ou agravando a saúde do rim afetado e, portanto, serão passíveis de tratamento urológico endoscópico imediato. Lembramos que até o presente momento, ainda não se dispõe de um medicamento efetivo que consiga “desmanchar as pedras” dentro dos rins.

A Cólica Renal (também conhecida como Cólica Nefrética) é uma condição clínica bastante comum e frequente nos serviços de pronto atendimento em todo o mundo, mesmo nestes tempos, em que a covid-19 tem monopolizado quase que todo o atendimento emergencial dos prontos-socorros, o que pode atrapalhar e dificultar um pouco a vida dos pacientes com cólica renal, que buscam atendimento emergencial para pronto alívio das dores.

Por fim, vale citar algumas recomendações que são muito importantes na prevenção da formação de cálculos urinários e no aparecimento de crises de cólicas renais:
– Aumentar a ingestão diária de líquidos (água, chás, sucos de frutas naturais, especialmente as frutas cítricas), com o propósito de aumentar o teor de água livre na urina. Uma exceção é feita em relação ao leite (rico em cálcio e proteínas, deve ser consumido com moderação) e bebidas alcoólicas.
– Reduzir o consumo de alimentos com elevado teor de sódio em sua composição – geralmente alimentos industrializados, como embutidos, conservas e enlatados, os quais contém o sal (Cloreto de Sódio) como um condimento, além de conservantes químicos à base do sódio.
– Consumir carnes vermelhas e derivados de leite com moderação. Estes alimentos representam uma importante fonte de cálcio, fósforo e proteínas que, quando metabolizadas, geram o ácido úrico, o qual acaba sendo eliminado na urina e pode originar cálculos.
– Aumentar o consumo de vegetais e frutas cítricas.
– Fazer exercícios físicos compatíveis com a idade com frequência (a imobilidade física favorece a formação dos cálculos urinários).

O desconforto proporcionado por uma crise de cólica renal faz elevar muito o nível de adrenalina no sangue e, consequentemente, o nível de stress físico e emocional do paciente, sendo então primordial um atendimento rápido, com a administração imediata de analgésicos endovenosos, capazes de abolir as dores e trazer alívio para estes pacientes. Posteriormente, o tratamento deverá ser focado na doença calculosa, podendo ser feito no âmbito hospitalar ou a nível ambulatorial.

Dr. Cesar A. Bombardelli
Médico urologista e cooperado da Unimed Chapecó.