Cooperativismo Catarinense

Saul João Rovadoscki

As cooperativas de crédito e o desenvolvimento regional

As cooperativas de crédito se transformaram, nas últimas décadas, em grandes instrumentos de desenvolvimento regional. De todos os ramos do cooperativismo mundial, o de crédito é que maior número de cooperados (associados) envolve e o que apoia de forma mais consistente e permanente as pessoas, as famílias, as empresas e os empreendimentos. No Brasil, as 909 cooperativas do segmento reúnem 9,8 milhões de pessoas. Em Santa Catarina, o ramo de crédito apresenta o maior número de associados e a segunda posição em movimento econômico. As 61 cooperativas de crédito reúnem 1 milhão 954 mil catarinenses, mantêm 10.445 empregados e movimentaram 6 bilhões 135 milhões de reais no último ano.

A sociedade, os agentes econômicos e as Nações descobriram que estimular e expandir o cooperativismo de crédito representa apoiar todas as categorias, desde aquelas embasadas em microfinanças até os projetos de investimento de médio e grande portes. Essas cooperativas alavancam o crédito no País às pessoas de baixa renda, trabalhadores e microempresários desbancarizados, sustentando um extraordinário movimento pelo desenvolvimento e pela inclusão.

O aperfeiçoamento da governança e o absoluto rigor na gestão e no controle dessas sociedades cooperativas contribuíram para que elas se mantivessem eficientes e detentoras de alta credibilidade. Dessa forma, elas também atuam para reduzir a exclusão social, gerar renda e novas oportunidades de trabalho. Assim, implementaram modelos de negócios que intensificaram a relação de parceria entre as cooperativas de crédito e seus cooperados.

A evolução para o sistema de cooperativas de crédito de livre admissão, as chamadas cooperativas abertas, teve impulso no final do século passado e foi essencial para catapultar o crescimento desse ramo. No início deste século, Resolução do Conselho Monetário Nacional  consolidou o Cooperativismo de crédito, eliminou a tipificação entre associados de origem urbana ou de origem rural e autorizou as cooperativas de livre admissão.

O Brasil percebeu a importância de um sistema de crédito de natureza cooperativista capaz de financiar amplos setores da sociedade, inclusive as próprias cooperativas, como ocorre em países desenvolvidos como a Alemanha, a Itália, Espanha ou os Estados Unidos.

Além de prestar serviços de intermediação financeira, oferecem mais de uma centena de produtos financeiros a taxas e juros abaixo do mercado bancário. Isso é tão relevante que os mais de 57 mil associados da Sicredi Região da Produção RS/SC/MG economizaram cerca de R$ 40 milhões, no ano passado, em relação às taxas cobradas pelos Bancos comerciais, em operações de crédito que totalizaram R$ 826 milhões.

Enfim, o aspecto primordial é que as cooperativas funcionam como agência de apoio ao desenvolvimento local, formando um círculo virtuoso e potencializando ações que beneficiam os associados e a comunidade. Os recursos captados no município e na região são ali investidos, paralelamente às ações e programas de estímulo à economia local. Todas essas vantagens não sobrepujam o principal diferencial desse setor do associativismo: uma cooperativa pertence aos seus associados, que participam ativamente dos resultados no final de cada exercício, e eles são a sua razão de existir.

Saul João Rovadoscki
Presidente da Sicredi Região da Produção RS/SC/MG

 

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